segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Resenha O que há de estranho em mim

YA/Drama

Autora: Gayle Forman
Editora: Arqueiro
Ano: 2016
Páginas: 224

Sinopse: Ao internar a filha numa clínica, o pai de Brit acredita que está ajudando a menina, mas a verdade é que o lugar só lhe faz mal. Aos 16 anos, ela se vê diante de um duvidoso método de terapia, que inclui xingar as outras jovens e dedurar as infrações alheias para ganhar a liberdade.
Sem saber em quem confiar e determinada a não cooperar com os conselheiros, Brit se isola. Mas não fica sozinha por muito tempo. Logo outras garotas se unem a ela na resistência àquele modo de vida hostil. V, Bebe, Martha e Cassie se tornam seu oásis em meio ao deserto de opressão.

Juntas, as cinco amigas vão em busca de uma forma de desafiar o sistema, mostrar ao mundo que não têm nada de desajustadas e dar fim ao suplício de viver numa instituição que as enlouquece.

A Gayle Forman consegue de uma maneira firme que venhamos a sentir tudo o que Brit sente a revolta,o cansaço e a esperança quando encontra pessoas onde pode achar conforto e cumplicidade.


A história começa quando o pai de Brit a está levando "supostamente" a um passeio no Grand Canyon,mas na verdade foi uma desculpa para internar a filha em uma clínica para jovens com problemas emocionais,apesar da revolta sentida inicialmente por quem está lendo,ao decorrer da história a gente vai entendendo o porque dele ter tomado essa decisão conforme alguns Feedbacks que a Brit vai dando.

“- Antes fossem apenas duas ou três notas baixar. E não é só isso. Brit, tenho sentido que você não faz mais parte da nossa família. Você não é mais você, entende? Então achei que devia buscar algum tipo de ajuda, antes que... – Ele não terminou a frase.”

Na verdade o pai dela baseia essa decisão no medo,medo porque vê na filha sombras da ex-esposa e teme que ela venha se tornar igual a mãe,pois não consegue enxergar a filha verdadeiramente só consegue enxergá-la através do medo,e então interna a filha na Red Rock achando que com isso vai lhe fazer bem.

“(...) Só então me dei conta de que devemos valorizar quem se preocupa com a gente.Isso é algo muito especial, que de uma hora para outra pode sumir.”

No entanto,os métodos de "terapia" empregados pela clínica são ilegais,e ao invés de ajudar as jovens que chegam lá até mesmo por realmente precisar de orientação a clínica deixa o estado de ânimo delas em frangalhos,além de alguns danos físicos em que eles culpam a paciente.

“Eram um bando de malucas descontando na pobre coitada as próprias questões de autoimagem.”

Mesmo assim Brit consegue fazer amigas e assim reúne forças e volta a encontrar a menina destemina que há dentro dele e junto com as amigas arma um plano para destruir o sistema,e denunciar as coisas inaceitáveis que aconteciam na Red Rock.

Eu achei legal o jeito que a autora fez essa analogia da clínica com a sociedade,que as vezes não aceita o que nos somos,ou nos rotulam de insanos apenas porque não nos encaixamos nos seu padrões de perfeição,e adorei também que ela mostrou que em tempos de escuridão a amizade e a união tem que prevalecer se não estamos perdidos.

"A vida real era maravilhosa e,por mais distante que parecesse naquele momento,ainda existia,eu ainda existia".

Eu super recomendo esse livro,porque sim!Rsrs e porque também pode  te fazer refletir assim como me fez.Eu agradeço muito pela visita e peço que deixe sua opinião aqui nos comentários porque ela é muito importante para mim,uma ótima semana,um beijão e até a próxima!
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sexta-feira, 6 de outubro de 2017

A última a morrer


Aquela menina que andava saltitante pelas ruas era diferente do restante,com cores vivas no seu vestido,ela sorria e dançava,sorria e cantava,que sorriso encantador ela tinha!

Ao meu redor todos de preto e cinza,as únicas cores que via era daquele vestido e do rosto iluminado da menina,ela veio até mim segurou minhas mãos entre as suas e perguntou "você sabe quem eu sou?",eu pensei durante um instante,ela me parecia familiar,mas não me vinha nenhum nome a cabeça. "Não.Não sei,quem é você?" ela sorriu de forma ainda mais acolhedora e disse " eu sou a última a morrer" e saiu saltitando,nem ao menos me deixou perguntar o que aquilo queria dizer.

Durante dias eu varri as ruas com com os olhos a procura de um vestido de cores vibrantes ou de uma menina saltitante, não encontrei,mas não fiquei frustrada por isso, porque desde daquele dia algo se renovou em mim, algo cálido que faz morada no coração de forma pacífica.

No entanto,em um daqueles dias que acordamos e simplesmente tentamos viver porque não há outra coisa a se fazer,eu fui ao parque e me sentei no mesmo banco de sempre,ela estava lá,a menina, porém muito distante para que a minha voz a alcançasse, mesmo assim eu gritei tentando lhe chamar a atenção,uma criança que brincava por perto virou o rosto pra mim e então olhou na direção em que eu estava olhando.

A criança sentou no banco ao meu lado "você também a vê?" ela perguntou,eu a olhei surpresa e respondi hesitante "Sim.Você sabe quem ela é?" "Adultos são meio cegos,mas pelo menos você a vê o que já é muito. Não consegue adivinhar o nome dela,nem um chute?" "Não faço ideia" falo ansiosa pra saber logo a resposta,a criança sorri,olha  pra menina a distância​ e diz "O nome dela é Esperança".

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quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Resenha Dançando Sobre Cacos de Vidro


Autora: Ka Hancock
Editora: Arqueiro
Páginas: 336
Ano: 2013


Sinopse: Lucy Houston e Mickey Chandler não deveria se apaixonar.Os dois sofrem de doenças genéticas:Lucy tem um histórico familiar de câncer de mama muito agressivo  e Mickey,um grave transtorno bipolar.No entanto,quando seus caminhos se cruzam,é impossível negar a atração entre eles.
Contrariando toda lógica que indicava que sua história não teria futuro,eles se casam e firmam por escrito um compromisso para fazer o relacionamento funcionar.Mickey promete tomar os remédios.Lucy promete não culpá-lo pelas coisas que ele não pode controlar.Mickey será sempre honesto.Lucy será paciente.
Como em qualquer relação eles têm dias bons e ruins,alguns terríveis.Depois que Lucy quase perde uma batalha para o câncer ,eles criam mais uma regra: nunca terão filhos para não passar adiante sua herança genética.
Porém durante uma consulta de rotina,Lucy é surpreendida com uma notícia extraordinária,quase um milagre que vai mudar tudo o que ela e Mickey haviam planejado.De uma hora pra outra todas as regras são jogadas pela janela e eles terão que redescobrir o verdadeiro significado do amor.

Minha opinião sobre o livro:

Mickey e Lucy se conheceram na festa de aniversário de Lucy,mas antes de chegar aí,há toda uma trajetória explicando um pouco da história dos dois.Mickey tem transtorno bipolar e o que eu descobri quando li esse livro é que sabia pouco ou quase nada dessa doença,o modo como a autora abordou esse problema dele sem tirar a essência do que ele é independente da doença,ou seja sem resumir esse personagem a doença,foi simplesmente genial.

Já a Lucy virou uma das minhas personagens favoritas de todos os tempos,sempre forte apesar dos pesares sempre dando um passo de cada vez,ela conseguiu enxergar quem o Mickey era sem a doença ela não deixou que isso depreciasse o homem que ele era,como ela disse nunca conheceu um homem capaz de "atravessar o concreto à nado" e foi por esse homem que ela se apaixonou.

Como casal os dois,tem uma rotina como qualquer outro,mas com a notícia da gravidez inesperada,eles terão que rever os conceitos e recomeçar,no entanto uma outra novidade nada boa surge:o câncer que Lucy já enfrentou e venceu há anos atrás,volta com tudo e ela tem que escolher se abre mão do bebê já muito amado e faz o tratamento ou se opta pela vida da criança,e essa escolha irá influenciar todos ao seu  redor principalmente Mickey.

Personagens secundários:

Não há como resenhar esse livro sem falar dos outros  personagens,um que eu amo é o pai de Lucy o sargento James Houston,que só pra constar nem está vivo na história mas a forma como a Lucy o caracteriza e leva pra vida toda seus ensinamentos é simplesmente adorável.Também tem as irmãs de Lucy: Priscila e Lily que são tão unidas apesar de suas personalidades totalmente diferentes.

E o restante da cidade que "criaram" Lucy e as irmãs como filhas e acolheram o Mickey sem julgamentos,como o doutor Gleason(o psiquiatra do Mickey),a Jan e o Harry,o Ron a Chalotte,enfim são tantos personagens encantadores que tornam essa história não apenas uma história de amor,mas também de amizade cumplicidade e empatia.

Da minha parte,pra quem quer ter uma super ressaca literária eu recomendo com fervor,pois tirei lições desse livro que pretendo levar pra vida toda bem guardadas na minha mente.

Espero de todo o coração que tenham gostado dessa resenha e quero saber se já leu ou quer ler esse livro,obrigada pela visita e deixa aqui embaixo nos comentários o que achou.Um beijão e até a próxima!





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quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Uma janela


valorizar coisas pequenas

R. Gabriel

Acordei ontem eram quase 9:00 horas e resolvi tomar um banho para adiantar algumas coisas em casa. Lá pras 20:00 horas teria uma festa da família, e mesmo que estivesse um pouco afastado de todos, resolvi por bem participar e rever algumas pessoas.
Fui recebido pela tia Bel, uma mulher alta, magra, tem olheiras profundas mas, um lindo sorriso. Parte da minha adolescência passei com ela e apredi muitas coisas.

Um pouco mais atrás vi o Betão, o nosso tio vida mansa. Estava bebendo e jogando com outros dois amigos. Logo que me viu, abriu logo um sorriso e chamou-me pra juntar a eles e jogar uma partida de cartas.

Pouco depois veio Carlinho,  um dos meus primos, filho da tia Bel, me chamando pra ver a vovó que estava ansiosa pela minha presença. -Ela nos seus oitenta e poucos não perdeu nem um pouco do seu carisma, da sua doçura-. Recebi um abraço apertado e um beijo na testa. Isso me fez lembrar da minha juventude. Olhei ao redor da sala e vi que nada mudou ali, tudo estava no mesmo lugar de sempre; -lembro das travessuras que já fizemos ali-.

Carlinho me contou que muitas coisas coisas mudaram desde que fui para a faculdade. Pedro, um dos nossos primos, filho de Betão, se envolveu com coisas erradas, saiu da escola e desde então tem trazido problemas pros seus pais. - olhei ao redor pra ver se o encontrava só que Carlinho logo me informou que ele tinha saído e não ia chegar cedo-.
Carlinho disse-me que iria resolver um problema; resolvi então procurar algo pra beber.No caminho vi algumas tias e tios e muitos primos, alguns não paravam de correr.

Mais isolada estava Patrícia, uma das primas que vi crescer. Pensei em conversar com ela mais tarde, saber as novidades e tudo.
Olhei em volta e procurei um lugar pra sentar e rapidamente achei uma cadeira vaga. -Desde os meus doze anos cresci e ajudei a cuidar dos meus primos menores, criei responsabilidade com isso e cresceu um sentimento maior ainda por cada um deles. Ver que Pedro estava começando a se perder me chateia muito-. Tentei apagar esses pensamentos e bebi o refrigerante que sobrava e fui procurar a Patrícia, uma adolescente de característica forte. Escreve e lê muitas coisas. Seus pensamentos são únicos e acho que seja isso o que mais me chama a atenção.

A música estava alta e todos riam, -fazia tempo que não via todos desta maneira-, mesmo assim, Patrícia estava isolada e com fones de ouvido, estava com um livro na mão. Tentei adivinhar qual seria, mas para minha surpresa errei feio. Quando me aproximei, li o título " A seleção". Acenei para tirar sua atenção e logo ela olhou para cima e soltou um largo sorriso, soltou o livro e me abraçou forte.

- Que saudade primo! Tu esqueceu de mim mesmo eim! - ela disse com a voz abafada em meu peito.

- Não esqueci mesmo prima. É que está tudo muito corrido. Trabalho, faculdade e quase não paro.

- É verdade. - ela disse voltando para a mureta que estava sentada. Mecheu em seu cabelo e deu um sorriso meio tímido.

- E você pra variar, prefere não ter nenhuma rede social para nos comunicarmos. - disse, ensaiando uma voz brava-.

-Ah primo, você sabe que prefiro uma bela Janela. - disse ela abaixando a cabeça e retirando os fones-.

Sentei do seu lado e o silêncio percorreu por um minuto. Ainda não tinha ouvido essa expressão "uma bela janela". Coçei minha cabeça e perguntei a ela o que significava essa janela.

- É loucura minha - disse passando a mão em meus ombros e dando uma piscadela.- você me conhece melhor que ninguém.

- Te conheço muito mesmo, mas essa eu não tinha ouvido. Qual a música que estava escutando?

- Uma do Bon Jovi, Always. Ainda tenho o Mp3 que me deu.

- Essa é linda! - disse lembrando que essa é uma das minhas músicas favoritas.
Tia Bel apareceu repentinamente e interrompeu nossa conversa:

- Patrícia está colocando abobrinhas na sua cabeça Gabriel? - disse soltando uma risada maliciosa e piscando pra ela- vamos tomar um pouco de caldo? Está quentinho.

- Vou sim tia. Vamos Patrícia? - ela acenou que sim e fomos todos tomar o caldo.
A noite foi passando e ficando tarde. A verdade é que não houve um momento depois que não fiquei pensando na declaração da Patrícia. "Janela" , o que ela queria dizer com isso?

Será que ela gostava de ficar bisbilhotando as vidas dos outros? Gostava de ficar atoa olhando pra rua?

Não sabia mesmo o que ela queria dizer. Como uma coisa boba dessa poderia ter tirado a atenção desta maneira?
Tentei perguntar outras vezes, só que ela só retribuia às minhas perguntas com um leve sorriso.

Despedi de todos e fui embora. Pensei sobre cada palavra daquela frase no metrô e no restante do caminho á pé. Enquanto me preparava para deitar, me veio em mente uma música que fazia tempo que não a ouvia, então a procurei no youtube e deixei-a tocar até que cada palavra estivesse em cada canto do apartamento.

Era uma música do Titãs, 'Epitáfio'.
Resolvi ficar um pouco na sacada e logo me deparei com uma noite linda. -como não vi isso?- pensei. Tinha acabado de chegar e nem reparei no quão linda estava a noite, a lua, o ar fresco que batia em meu rosto e resovi ficar ali um pouco.

Me veio em mente a frase da Patrícia de novo: "Ah primo, você sabe que prefiro uma bela Janela". Fiquei pensando e pensando e formei o quebra cabeça! Na verdade, eu estava abrindo aquela janela naquela hora, observando a noite, a lua...

Ela queria dizer que muita das vezes passamos tempo demais preocupado com o trabalho, estudos, projetos pessoais, metas á alcançar, pessoas a agradar... que acabamos que esquecemos de viver, de amar. Ela disse que ela prefere observar as estrelas, os pequenos e gentis gestos do dia a dia do que se atirar em uma 'rede social corrompida', ela prefere viver aquela rede que ela mesma criou, e quem sabe até deitar nela e curtir uma boa soneca e depois preocupar com o trabalho, ela prefere ver e brincar com as crianças e depois preocupar em como agradar o chefe.

Sair com os verdadeiros amigos e tomar um sorvete com uma paixonite. Dedicar-se aos estudos mas não deixando de lado sua família, - esse último pensamento me trouxe um peso, tenho feito isso nos últimos tempos -.
É, eu conheço mesmo minha prima. Eu até pensava da mesma maneira, só que a correria me fez esquecer estes princípios.

Fechei meus olhos e deixei que o vento tocasse meu rosto com uma suavidade jamais sentida. A música tocava ainda e o refrão me deixou tranquilo. Ontem foi um belo dia.

"Devia ter amado mais,
Ter chorado mais,
Ter visto o sol nascer.
Devia ter arriscado mais,
E até errado mais,
Ter feito o que eu queria fazer..."

Ronald Gabriel Valeriano
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quinta-feira, 28 de setembro de 2017

O menino do ônibus ao lado


Naquele dia eu estava na rodoviária dentro do ônibus esperando o horário dele sair,eu olhava distraída pela janela do outro lado estava outro ônibus que iria em direção oposta ao que eu estava.

Enquanto estava pensativa fui olhando para tudo em minha volta,e enquanto olhava vi um menino tão distraído quanto eu só que ele estava com uma expressão triste dava pra perceber até mesmo de longe.

Eu fiquei observando-o enquanto ele ainda estava disperso,e de repente ele me viu e tinha aquele tipo de olhar que prende e que parece te enxergar além da superfície,o olhar triste foi substituído por curiosidade.

E então eu sorri, não me pergunte porque,eu apenas sorri e ele sorriu de volta, foi como se estivéssemos conversando através de nossos sorrisos,eu não tentei falar nada nem ele não dava pra gente se ouvir a essa distância,com todo esse barulho de ônibus entrando e saindo.

Do nada eu vi que meu ônibus já estava cheio uma mulher sentou ao meu lado e percebi que o ônibus já ia partir, olhei novamente pela janela e ele estava lá, então eu acenei porque estava indo embora,ele aumentou o sorriso e retribuiu o aceno.
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terça-feira, 26 de setembro de 2017

Uma Boa prosa


         Lembro que era início de janeiro de 2007 e havia viajado para o sul de Minas a fim de fotografar algumas das cachoeiras daquela região. Hospedei-me em uma pousada na cidade de Guapé, uma cidadezinha bem acolhedora onde as paisagens ao seu redor a deixava ainda mais linda, que tinha retoques de vinha desde montes e paredões a cachoeiras e riachos. Desde esta viagem, minha vontade de voltar vem crescendo muito.  

         Dizem que um fotografo viajante está sempre de férias, que este trabalho é mais chegado a um hobby. Discordo destas posições, pois como em cada uma das profissões que se tem, há certas emoções que vem a tona todos os dias como a felicidade, a tristeza, bons risos, insatisfações, paz, angustias, enfim, emoções que nos são comuns no dia-a-dia.  

          Não lembro ao certo o dia da semana estava indo embora, mas sei que era uma tarde bem típica de verão; o sol estava se pondo, o céu tinha um tom marcante de alaranjado. Lembro que caminhava calmamente ouvindo os sons dos pássaros que cintilavam com o ar fresco depois de um dia bem úmido. A rodoviária esta tranquila e  algumas pessoas iam e viam, mas dava para saber que a maioria destas não iriam viaja.Depois de sentar em lugar mais afastado, fui ver as fotos que havia tirado e me senti decepcionado; não estava em uma fase tão inspirada. Guardei a máquina e comecei a observar o que se passava ao meu redor.

           Haviam duas crianças correndo de um lado para o outro e  tentei achar a mãe destas que por sua vez, estava lendo uma revista e não prestava tanta atenção no que acontecia. Via perto delas um casal de meia idade que demonstrava sua insatisfação e esperavam uma ação da mãe das crianças.

 No outro lado da sala de espera havia outro casal jovem que desta vez, não parecia tão preocupado com o que acontecia ali e acredito que no mundo.Quase que deixo passar despercebido, mas havia um homem próximo a mim que tinha um olhar bem cansado, mas que mostrava ser simpático quando brincava com as crianças, parecendo que não ligava para a bagunça que estavam fazendo, como gostasse daquilo.

 O atraso do ônibus deixou marcas de insatisfação naquele local onde alguns olhavam para o relógio impacientemente e outros iam de um lado para o outro. As crianças continuavam a bagunça.Quando enfim o ônibus chegou, demorou-se cerca de 30 minutos para que todas as bagagens estivessem guardadas. Fui um dos últimos a entrar, escolhi um lugar que ficava longe das crianças e daquele casal de apaixonados.

 Acomodei-me no meu lugar e reparei que já era noite, lembrei que havia levado um livro e o peguei. Olhei para o lado e o ônibus estava quase partindo. Depois de alguns minutos, já na estrada, aquele senhor da sala de espera sentou ao meu lado, em primeiro momento não olhei para ele, mas depois de alguns segundos reparei que ele estava com um lindo sorriso.
A viagem estava tranquila ate aquele momento, a estrada estava vazia, o silêncio pela primeira vez desde a rodoviária imperou naquele ônibus.Do nada o livro que eu estava lendo escorregou das minhas mãos e foi parar no corredor; inicialmente fiquei envergonhado, mas endireitei-me e pedi para aquele senhor pegá-lo. Ele dirigiu-se ao livro e pegou, e parou no meio do caminho e leu o título do texto e disse em baixa voz:

   _ “ Um mar de Angústias”, belo assunto meu jovem, o que se trata esse livro?
Olhei naquela hora com certo incomodo, mas respondi com certa indiferença:
  _ É uma história de uma pessoa que se viu atolada em meio ás angustias e frustrações da vida. 
    Ele me olhou com certa curiosidade, desviei o olhar e virei para a janela. 
  _ E esta pessoa consegue sair deste mar? – perguntou novamente.
  _ Ainda não sei, comecei a lê-lo há pouco. 
  Ele agora esta pensativo. Colocou um dos seus dedos na cabeça, reparei que eram flácidos, coçou a nuca e virou-se para mim e me fez a terceira pergunta.

  _ Você sabe por que as pessoas andam frustradas? – olhou-me com um olhar desafiador.
  _ Não senhor, já faz algum tempo que procuro esta resposta. -  pela primeira vez estava 
interessado na conversa.
  _ Por que elas sonham demais. – respondeu dando um leve sorriso e olhando para mim. 

  Aquele olhar era mesmo diferente, por alguma coisa me sentia confortável ao lado dele.

  _ Mas todos sonham isso não tem sentido.

  _ É verdade, todos sonham, mas é aí que está o segredo. Quando digo que estas pessoas 
sonham demais, quero dizer que elas estão desejando muito e buscando pouco. Acredito que você já viu pessoas ao seu redor que reclamam que nada de bom acontece com eles, mas, não saem do lugar para fazer por direito.

  _ É verdade, não havia pensado por este lado, muitos querem, mas, poucos fazem por merecer. – estava entendendo o que aquele senhor, que ainda não sabia o nome, estava querendo dizer.

  _ Lembro como se fosse hoje do meu querido amigo Mendel, um jovem garoto muito inteligente, mas pobre, você acha que ele desistiu dos seus sonhos por causa disso? Não rapaz, ele lutou, estudou e hoje é conhecido como o pai da Genética.

   _ Você o conheceu? – perguntei num tom irônico.

  _ É claro! Nem faz tanto tempo assim. Você já ouviu falar de Nelson Mandela? Estive com ele na prisão, naqueles longos anos de sofrimento; ele só queria mudar aquela realidade que a África do Sul estava vivendo. Mas ele foi penalizado por isso. Mas você acha que ele desistiu do seu sonho por causa das dificuldades que ele viveu até aquele momento? Não! Ele acreditou que ele era capaz de conseguir acabar com a desigualdade, com o racismo e o preconceito que o aHYPERLINK "https://www.google.com.br/search?q=apartheid&spell=1&sa=X&ved=0ahUKEwispazukqDTAhUGlZAKHSEOAHwQvwUIGSgA"pHYPERLINK "https://www.google.com.br/search?q=apartheid&spell=1&sa=X&ved=0ahUKEwispazukqDTAhUGlZAKHSEOAHwQvwUIGSgA"aHYPERLINK "https://www.google.com.br/search?q=apartheid&spell=1&sa=X&ved=0ahUKEwispazukqDTAhUGlZAKHSEOAHwQvwUIGSgA"rHYPERLINK "https://www.google.com.br/search?q=apartheid&spell=1&sa=X&ved=0ahUKEwispazukqDTAhUGlZAKHSEOAHwQvwUIGSgA"tHYPERLINK "https://www.google.com.br/search?q=apartheid&spell=1&sa=X&ved=0ahUKEwispazukqDTAhUGlZAKHSEOAHwQvwUIGSgA"hHYPERLINK "https://www.google.com.br/search?q=apartheid&spell=1&sa=X&ved=0ahUKEwispazukqDTAhUGlZAKHSEOAHwQvwUIGSgA"eHYPERLINK "https://www.google.com.br/search?q=apartheid&spell=1&sa=X&ved=0ahUKEwispazukqDTAhUGlZAKHSEOAHwQvwUIGSgA"iHYPERLINK "https://www.google.com.br/search?q=apartheid&spell=1&sa=X&ved=0ahUKEwispazukqDTAhUGlZAKHSEOAHwQvwUIGSgA"d impunham. Muitos outros queriam a mesma coisa, mas foi ele quem correu atrás dos seus objetivos.

  Fiquei pensando no que ele acabou de dizer, pensei na atual situação que vivia frustrado por não ter conseguido sair do lugar nos últimos meses, minha família longe, tudo desmoronando. Algo ali me surpreendeu.

  _ Sei que está frustrado, mas saiba, tudo depende de você, s seus sonhos, seus objetivos, seus almejos, tudo isso depende da sua posição. Como disse, as pessoas estão frustradas por querer e não sair do lugar.

     Naquele momento ele levantou e foi em direção ao banheiro. Fiquei abalado, como ele sabia da minha vida? Quem era ele? Comecei a me perguntar varias vezes. Já estávamos chegando á rodoviária, estava amanhecendo, nem tinha visto o tempo passar. Todos desceram do ônibus, menos aquele senhor.

      Esperei mais alguns minutos e nada dele aparecer; perguntei aos outros passageiros, ao motorista e ao fiscal, ninguém o tinha visto. Fui a caminho de casa pensando em tudo que tinha acontecido naquelas últimas horas, nas palavras, em cada detalhe. Naquele momento eu não entendi muitas coisas. Hoje paro e penso. Aquele senhor esteve mesmo ao meu lado? Ele havia conhecido aqueles homens? Como pode? Como ele sabia da minha vida? Quem era ele? Sei que hoje sou uma pessoa mais determinada para correr atrás dos meus sonhos.
Seria meu subconsciente? Algo superior? Ou ninguém que estava ao meu lado nesta viagem? A verdade é que eu não sabia, mas eu sou grato verdadeiramente por essa boa prosa.


Ronald Gabriel
@atodepoesia
https://da-dk.facebook.com/atodepoesia/
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segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Não somos perfeitos,somos apenas humanos

blog com textos

O mundo tem pressa para sermos perfeitos,pra ocuparmos nossos lugares na sociedade e contribuir para ele continuar do modo que é.

Mas sabe o que eu prefiro? Prefiro acordar de manhã e sorrir para o raios de sol, falar com meu Deus e imaginar todas as boas possibilidades para  meu dia.

Prefiro ter a capacidade de olhar nos olhos das pessoas e ouvi-las de verdade, prefiro um abraço apertado de alguém que amo imensamente.

Porque o tempo se esvai de qualquer forma, então é melhor usá-lo amando as pessoas, sorrindo mesmo em um dia difícil, relevando certas atitudes porque algumas delas tem motivos mais profundos do que pensamos.

Prefiro ouvir uma história da sua vida e rir de uma traquinagem que você fez quando criança,ou chorar com uma experiência ruim pela qual você passou.

É disso que eu gosto, essa coisa que nos faz seres humanos não a frieza dos nossos tempos de redes sociais.Eu gosto de pessoas tão loucas quanto eu.

Então o mundo que espere,pois nunca serei perfeita,nem tentarei,a única coisa que quero é ser feliz, plenamente e continuamente e espero eu,que você seja feliz e que não tenha a necessidade de ficar provando pra todos como sua vida é perfeita,mas sim que cante,dance sorria,chore e por favor​ faça mais do que existir,viva.

Desejo de todo coração uma ótima semana pra você um beijo e um abraço grande, até a próxima!

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sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Resenha Meu Coração e outros buracos negros



meu coração e outros buracos negros

Autora: Jasmine Warga
Editora: Rocco
Ano: 2016
Páginas: 312

Sinopse: Em Meu Coração e Outros Buracos Negros,a estreante Jasmine Warga apresenta aos leitores um romance adolescente  que aborda de forma aberta o suicídio e a depressão.Aysel enfrenta problemas com a família e na escola e planeja acabar com sua vida através de um site que promove "encontros" entre suicidas e lá encontra Roman que muda aos poucos sua perspectiva sobre ela mesma e sobre a sua vida,mas Roman ainda quer ir com seu objetivo até o fim e Aysel vai ter que lutar pela vida dele e pela dela mesma.

Aysel tem depressão que começou quando o pai dela foi preso por um crime bárbaro,ela achando que estava condenada pelos seus genes e com medo do que poderia se tornar,decide dar um fim na sua vida,para evitar que no futuro a genética que tanto a atormenta possa surtir efeito sobre ela.

"Há coisas na minha vida que fazem que eu me sinta sozinha,mas nada me faz sentir mais isolada e aterrorizada do que a voz na minha cabeça"

Através de um site para suicidas o "Passagens tranquilas" ela conhece Roman um garoto desolado pela culpa,e os dois se unem a princípio para concretizar o plano de suicídio,para dividir o peso dessa decisão,mas o universo é engraçado e começa a monstra a Aysel que a teoria da relatividade de Einstein não se aplica somente ao universo,mas também se aplica a vida.

"Talvez todos tenhamos a escuridão dentro de nós,e alguns de nós sejam melhores em lidar com ela do que outros"

Confesso que a princípio não é uma leitura fácil,ela aborda os tema depressão e suicídio de forma honesta e cru,sem idealismo e sem hipocrisia,eu gostei do livro faz você ver sua realidade  sobre uma perspectiva diferente,pois as vezes nos vemos em frente de situações que aparentemente não temos escolhas,mas acredite,nós sempre temos porque a vida é nossa e nós que escolhemos por onde a levaremos por mais que seja difícil há sempre outros caminhos pra escolher.

"As vezes imagino que meu coração é como um buraco negro- tão denso que não há espaço para luz,mas isso não significa que não possa me sugar pra dentro dele".

 Aysel só enxergava uma saída para os seu problemas ela tinha tanto medo de ser igual ao pai que não conseguia ver que na verdade ela não era.Eu gosto de pensar que todos nós somos um universo a parte então nossos pais e nosso passado não precisam influenciar o que nós seremos se não permitimos.

"Meu corpo é uma máquina eficiente de matar pensamentos felizes"

Depois de muito tempo deixando seu passado comandar e determinar  seu futuro Aysel começa a perceber que na verdade ela tem uma escolha e agora ela só tem que fazer a parte mais difícil,salvar a própria vida e a de Roman ou continuar com seu plano de acabar com tudo até o fim.

"Talvez tudo seja relativo,não apenas a luz e o tempo,como Einstein teorizou,mas tudo.Como a vida pode ser terrível e incorrigível até o universo mudar um pouco e o ponto de observação ser alterado e, de repente tudo parece mais suportável"

Na minha humilde opinião a autora poderia ter desenvolvido melhor os personagens da pra entender o que eles sentem,mas faltou um pouco mais de profundidade,porque a história é meio clichê e acaba muito rapidamente é aquele tipo  de história que parece não ter meio.No entanto não considero isso como um empecilho para gostar da história.
  
Eu gostei,porém também não recomendo pra todo mundo,na verdade acho que nem eu deveria ter lido rsrs,mas fui de curiosa e teimosa,não me fez mal,porque como eu disse é um livro um pouco raso,mas talvez possa fazer mal a alguém que já esteja com o emocional abalado.


Bom é gente isso espero que tenham gostado da resenha, deixem nos comentários o que acharam desde já agradeço pelo tempo um beijão.

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